segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Muitas vezes queremos ser como os outros não são



   Em todas as minhas palestras sobre o livro Exorcize Sua Alma Gorda faço questão de dizer o quanto é importante nos sentirmos confortáveis com nossos corpos e, sobretudo, saudáveis. Lembro que uma vez vi, em um grupo de meninas que exaltava a anorexia como estilo de vida e não como doença, menção ao meu livro o que me deixou profundamente triste! 
   Hoje, com os recursos fotográficos e cosméticos que dispomos, pessoas se apresentam tão irreais como a Branca de Neve. Ou mais. Por isso gosto quando nos deparamos com essas pessoas como de fato são. Nem sempre mais feias, diga-se de passagem. Simplesmente mais naturais e humanas, digamos.
   Acho maravilhoso nos produzirmos e nos cuidarmos. Assim nossa autoestima fica em alta e só temos a ganhar com isso, mas não devemos nunca, em hipótese alguma, buscarmos ser tal e qual os outros não são. 


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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"Portuglês": o novo dialeto corporativo


Dominar o inglês faz tempo que deixou de ser uma opção para se tornar uma obrigação no mundo empresarial, na maioria esmagadora das organizações! Além de necessário, considero bacana pessoas que falam mais de um idioma. Mas um de cada vez. Diferente do que estamos vendo atualmente. O mundo corporativo está falando um verdadeiro dialeto composto de um misto esdrúxulo de português com inglês.

                Não quero de forma alguma parecer anacrônica ou rígida e implacável defensora do nosso idioma, negando as evidências circundantes, a começar pela globalização que veio para ficar.  Seria ignorância de minha parte professar uma linguagem hermética e imutável, blindada a empréstimos e incorporações necessárias que fazem parte desse processo dinâmico de renovação do idioma.  Palavras sofrem constantes influências e consequentes alterações em função de fatores como economia, ciência, organização da sociedade e movimentos sociais, dentre outros.  Estrangeirismos fazem parte desse processo. A escolha do idioma inglês como “universal” nesse mundo globalizado, reflete, certamente, uma dominação econômico e cultural dos EUA. O que não podemos admitir é um empobrecimento do nosso idioma, um dos mais belos da humanidade. Nem permitir deformações escabrosas por conta desse excesso.

                Nas organizações temos visto uma comunicação contaminada. O tal dialeto Portuglês que me soa histriônico, tolo. Vejo estarrecida profissionais cometendo erros crassos da nossa língua pátria e que, no entanto, possuem domínio fantástico da língua do Tio Sam. Pessoas que, por exemplo, cuidam com o maior esmero e atenção da pronúncia correta das palavras em inglês, visando parecer um nativo, mas que cometem erros de pronúncia horrorosos no seu próprio idioma. Em uma apresentação de mais de oito horas de duração de diversos profissionais brasileiros que atuam em uma organização multinacional, por exemplo, constatei que todos adotaram uma pronúncia americanizada da palavra “recorde”, que vem sendo dita récord. O mesmo fenômeno, por sinal, acontece em empresas de rádio e televisão.

                E por falar em televisão, não sei se por ler na mesma cartilha, Aguinaldo Silva, autor da novela das nove, criou seu protagonista, um executivo bem sucedido, brasileiríssimo, de origem humilde que chegou ao topo da carreira, falando despropositadamente palavras em inglês em profusão. O resultado é algo tosco. E, cá para nós, nada diferente do que estamos vendo nas organizações: a inclusão bizarra de palavras inglesas que também sofrem adulterações de arrepiar. E assim ouvimos pessoas dizerem que estão brifando documentos, trackiando outros, solicitando papers, buscando administrar conflitos através de uma abordagem mais friendly, praticando encontros one to one, almejando maior visibility para suas áreas, defendendo seus targets, preocupados com seus pipelines, deadlines e budgets, antenados nos gaps que possam surgir aqui e ali, dando feeds sobre novos conceitos a serem implementados, fazendo constantemente recapts do que viram, lidando em suas rotinas com diferentes moods que possam afetar o entrosamento e por aí vai! Não há limites para a inclusão de words inglesas em suas falas e apresentações. Não precisamos ser radicais a ponto de substituir feedback por retroalimentação, mas fazer essa miscelânea soa arrogante e despropositado! Sem falar que pode comprometer a essência da comunicação, nossa mais valiosa ferramenta de interação interpessoal.

Outra situação que nos chama a atenção nesse universo é o número alarmante de lojas e empreendimentos que optaram por nomes em inglês ou que se utilizam desse idioma para dar seus informes, como chamar “promoção” ou “liquidação” de sale. Um rapaz que presta serviços em minha casa, por exemplo, passou dias tentando explicar em que local ficava a agência bancária em que tinha conta. Insistia em mencionar que era no Frescobol. Intrigados, fomos descobrir no dia em que meu marido ofereceu uma carona, que ele queria dizer Fashion Mall. Alguns representantes dos lojistas no Brasil já alertaram para o fato de que trabalhadores de origem mais simples, como entregadores, referem-se a esses empreendimentos por nomes indecifráveis, como fez meu funcionário, ou por cores das fachadas.


                Esse dialeto bizarro está abastecido de distorções que nem mesmo os dicionários conseguem nos elucidar e situar. Respingos disso vêm contaminando e truncando o significado de palavras do nosso idioma que passaram a ganhar significados errôneos. O mais gritante é o do verbo realizar, que, em português significa constituir; efetuar; elaborar; executar; fazer, mas que vem sendo empregado com o significado de “realize”, em inglês, que corresponde a “perceber”. Assim: “diante daquele problema eu realizei que algo sairia errado”. Ou a adoção do “então” no início da frase como fazem os americanos com o seu “well”. E o que dizer da nefasta utilização do gerundismo que, graças aos céus, saiu de moda? Vamos falar diversos idiomas, mas um de cada vez! 

terça-feira, 15 de julho de 2014

Por que comemorarmos o Dia do Homem?


   Embora em 15 de julho seja comemorado o Dia do Homem, a data ainda não teve, nem de longe, a mesma projeção que o Dia da Mulher. Importante aproveitarmos a ocasião para refletirmos sobre algumas significativas mudanças que envolvem a classe masculina como consumidores e o impacto que isso está tendo no mercado. 
  O perfil do homem moderno está mudando no mundo todo. E muito! O mercado que envolve a beleza masculina, por exemplo, está em franca expansão. O Brasil já ocupa a segunda posição do ranking de venda de cosméticos para eles, cujo crescimento nos últimos cinco anos foi de 18,3% ficando atrás apenas dos Estados Unidos, segundo pesquisa da Euromonitor, divulgada no estudo de tendências da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos). E a projeção é bastante otimista! Mundialmente, o mercado de beleza masculina movimentou em 2012 cerca de US$33,6 bilhões, com uma perspectiva de crescimento superior a 10% ao ano na produção desses produtos.
  Apesar desses índices tão expressivos, ainda são poucas as campanhas voltadas para o Dia dos Homens, embora a classe masculina esteja cada vez mais consciente que uma boa apresentação está diretamente relacionada com seu sucesso pessoal e profissional. E como muitos aderiram aos cuidados com sua imagem, a concorrência cresce a olhos vistos. Uma das marcas que não deixa esse dia passar em branco, já há alguns anos, é O Boticário, que preparou para este ano, mais uma vez, o lançamento de um perfume. 
   Mas não é só na área de cosméticos e beleza que estamos vendo mudanças dessa ordem. Marcas que trabalham com produtos domésticos também estão se voltando para esse mercado, como a Limpanno que lançou uma linha em que um único item pode substituir vários, como o aspirador, a vassoura, o esfregão e o rodo, facilitando a vida dos homens que moram sozinhos.  Em média, 20% de nossos consumidores finais são homens, principalmente nos grandes centros. E esse número vem crescendo. Investimos na mudança do logotipo para ter mais dinamismo entre os públicos. Ainda não temos produtos destinados especificamente para o público masculino, mas pretendemos sim criar algo que atenda a esta demanda conta Alex Buchheim, Diretor-Geral da Limppano, em entrevista ao Mundo do Marketing.
  Estudos da Abihpec indicam que a classe masculina está dando cada vez mais importância à sua apresentação física bem como está se voltando para produtos que facilitem suas vidas, e que tragam facilidades e bem-estar em relação às situações a que estão expostos no dia a dia.
  Embora essas sejam evidências irrefutáveis, ainda vimos que o mercado, de uma maneira geral, está concentrando suas campanhas exclusivamente no Dia dos Pais. Se pararmos para pensar, veremos que pouco tempo atrás, ocorria o mesmo em relação às mulheres: apenas o Dia das Mães era festejado. De lá para cá o perfil feminino mudou e surgiu a demanda de um enfoque também no dia daquelas mulheres que não são mães. Hoje não devemos ignorar toda uma fatia de consumidores que não se encaixam nas campanhas voltadas para aqueles que são pais. Deixar esse mercado de lado pode, portanto, ser um erro, mas todo cuidado é pouco na hora de investir nesse segmento, considerando que este público, de acordo com pesquisas, é mais desconfiado e não gosta de arriscar. 
  E você, o que tem feito em seu segmento para se aproximar desse nicho promissor? Campanhas? Ofertas? Distribuição de amostras? Palestras com dicas de uso do seu produto ou serviço? Pesquisas de opinião?  Pense bem antes de ficar de fora das comemorações do Dia dos Homens. 
  E para todos os homens, meus Parabéns!